Nikos Kazantzákis Bibliografia

O Kapetán Michális (Ο Καπετάν Μιχάλης) tem como subtítulo Liberdade ou Morte - aproveitado como título nas traduções inglesa e francesa da obra - talvez seja o mais cretense de todos os seus romances. Nesta obra, Kazantzákis conta uma das inúmeras revoltas dos cretenses contra a tirania turca. A narrativa começa com a descrição do próprio Kapetán Micháli, homem taciturno, fechado em si mesmo, que nunca sorria e se vestia sempre de preto, com as roupas típicas do cretense. Devido a seu temperamento, era temido por gregos e turcos e nada fazia para atrair a simpatia de ninguém. Essa maneira de ser, arredia e quase anti-social, se devia a um grande peso que carregava na alma: se achava indigno de seus antepassados por não pegar em armas e comandar uma revolta para expulsar os turcos de sua Creta natal.

Na realidade, o que conta o romance é a luta que o Kapetán Michális trava consigo mesmo para sair dessa imobilidade- vista por ele como uma acomodação indigna de um verdadeiro cretense - para formar um grupo de guerrilheiros e lutar contra os turcos. O que, finalmente, consegue realizar.

Encontra-se traduções desta obra, dentre outros, para o inglês e o francês mas, infelizmente, ainda não para o português

O Cristo Recrucificado (Ο Χριστός Ξανασταυρώνεται) nos fala de um muito antigo costume da aldeia de Licóvrissi: a cada sete anos, por ocasião da Páscoa, se dramatizava a Paixão e Morte do Cristo. Os protagonistas desta dramatização eram escolhidos entre os próprios habitantes da aldeia e o critério usado para essa seleção era, não só a maior semelhança física, como também o comportamento moral do escolhido. Este ano, o escolhido para desempenhar o papel de Cristo foi o pastor Monoliós, noivo da filha do homem mais rico da aldeia.

Por essa mesma ocasião, chega na aldeia o padre Fótis à frente de um grupo de esfaimados e esfarrapados que fugiam dos turcos que haviam invadido e saqueado a cidadezinha onde moravam. Pedem asilo e um pedaço de terra para plantar e retirarem dela o seu sustento. Com medo de ter que dividir suas terras com esses mendigos, os ricos da aldeia recusan-lhes abrigo e expulsam-nos da cidade. Manoliós, já totalmente tomado pelo espírito de Cristo, sai em defesa dos pobres infelizes despertando, dessa forma, o ódio das autoridades da ilha.

Toda a ação do romance se concentra principalmente sobre essas duas posições antagônicas, de um lado, Manoliós e, do outro, as autoridades da ilha.

O filme baseado nesta obra - que recebeu o título de "Aquele que deve morrer" (Celui qui doit mourir) - foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes de 1957 e contou com a direção de Jules Dassin e com Melina Mercouri no principal papel feminino.

A obra, em português, foi traduzida do inglês por Guilhermina Sette e editada pela Editora Nova Fronteira.

Os Irmãos Inimigos. (Οι Αδελφοφάδες)

A pequena cidade de Cástelo, aos pés das montanhas do Épiro, está devastada pela guerra civil. De um lado, os boné vermelhos, os comunistas, e do outro, os boné pretos, os situacionistas, e, no meio, o padre Iánaros que, por todos os meios, tenta unir o que a paixão política tinha dividido. Toda a ação se passa na semana da Páscoa e tem como protagonista o padre Iánaros que, inspirado pelo amor de Cristo pelos homens, resolve agir e tentar conciliar os dois lados em luta.

Este texto, cujo título original é "Os Fratricidas", foi traduzido, do inglês, por Milton Persson e editado, mais uma vez, pela Editora Nova Fronteira.

Zorba, o Grego. (Βίος και πολιτεία του Αλέξη Ζορμπά)

Em seu mais famoso romance, Nikos Kazantzákis conta a experiência vivida por um filósofo, amante de Nietzsche, quando de seu encontro com Alexis Zorbá, aquele que possuía "o espírito mais aberto, o corpo mais firme, o maior grito de liberdade que já ouvi em toda minha vida".

A tradução portuguesa, a partir do inglês, feita por Edgar Flexa Ribeiro e Guillhermina Sette, foi editada pelo Círculo do Livro cuja licença editorial foi gentilmente cedida pela Editora Nova Fronteira S.A.

O filme Zorba, o Grego, produção americana dirigida por Michalis Kakogianis, obteve um enorme sucesso e difundiu pelo mundo a música de Mikis Theodorakis, assim como o "xasapiko" dançado por Anthony Quinn, o Zorba do cinema.

A Última Tentação de Cristo (Ο Τελευταίος Πειρασμός) é o título do mais polêmico dos romances de Kazantzákis que quase causa sua excomunhão do seio da igreja ortodoxa grega e que colocou o autor no Índex da igreja católica romana. Na verdade, como o próprio autor declara no prólogo a seu livro, esta obra reflete sua própria "aporia" diante da dupla natureza de Jesus Cristo.

Neste romance, Kazantzákis humaniza a figura de Cristo e, de uma forma extremamente comovente, descreve as dúvidas, alegrias e sofrimentos por que passa ao longo do difícil percurso que o leva a assumir sua dupla natureza - a divina e a humana - e a aceitar o sacrifício que lhe é imposto pelo Pai para a salvação dos homens. Ao descrever o trajeto percorrido por Jesus, o narrador deixa transparecer toda a ternura e toda compaixão que sente por aquele que, segundo o autor, é quem melhor representa o sofrimento do próprio homem em busca de sua unidade perdida. Como nos diz Kazantzákis "tenho certeza de que todos os homens livres que lerem este livro, tão cheio de amor como é, vai sentir pelo Cristo um amor muito maior e muito mais profundo do que nunca."

O filme baseado neste romance -, que teve a direção de Martin Scorcese e uma sensível interpretação de Willem Dafoe no papel do Cristo - provocou uma enorme reação por parte de alguns grupos ligados às religiões cristãs.

A Última Tentação foi traduzido, do inglês, por Waldéa Barcellos e Rose Nânie Pizzinga e publicado pela Editora Rocco, em 1988.

Ascese (Ασκητική)

Neste pequeno/grande livro tão poético e, ao mesmo tempo, tão cheio de luta e sofrimento, Kazantzákis descreve sua filosofia de vida.

"Viemos", nos diz o autor, "de um escuro abismo; vamos acabar em um escuro abismo; ao espaço iluminado entre os dois damos o nome de Vida". No momento exato em que nascemos, começamos a morrer. Entretanto, nesse exato momento começa também o esforço humano de criação, da realização de uma síntese que nos tornará imortais. Essas duas forças contrárias, a que leva à vida e a que leva à morte se originam de uma mesma fonte, dessa força super-humana que lança tudo o que existe - plantas, animais e homens - do inexistente ao existente. A luta pela liberdade - para Kazantzákis, sinônimo de felicidade - consiste em nos apossarmos dessa visão que contém e harmoniza essas duas forças e nela basearmos toda nossa vida, pensamentos e ações. A esse corajoso olhar, que é também aceitação de nossa condição de seres humanos, logo, mortais, Kazantzákis dá o nome de "olhar cretense". O texto em questão descreve o caminho a ser seguido pelo homem em sua busca pela felicidade.

Ascese foi traduzido para o português por José Antônio Paes e publicado pela Editora Ática, em 1997.

Odisséia (Οδύσσεια)

Se em “Ασκητική” Kazantzákis descreve o caminho a ser seguido pelo homem em sua busca pela felicidade, na Odisséia, ele põe a teoria na prática e faz o seu Odisseu, em busca de sua pátria, de sua origem, transpor todos os obstáculos e chegar vitorioso a seu destino.

Kazantzákis retira Odisseu do texto homérico logo após matar os pretendentes, coloca-o de volta ao mar e o faz percorrer um longo percurso: de Ítaca a Esparta, onde seqüestra Helena e, com ela vai até Creta. Depois de assistir à derrota impingida ao rei minóico por forças vindas da Grécia continental, embarca para o Egito à procura da fonte do rio Nilo. Chegando ao lago Vitória, constrói sua cidade ideal ou, como diz o narrador, a cidade de Deus. Quando a obra está completa, sobrevem um terremoto que a destrói completamente. Odisseu, já agora transformado em asceta, abandona a cidade destruída e se dirige ao sul do Egito à procura do mar. Aí chegando, constrói um barco para si e se lança de novo ao mar em busca de seu destino. Ao se aproximar da região polar, seu barco se choca contra um grande iceberg. O choque é tão violento que Odisseu é projetado contra o grande bloco de gelo, onde acaba desaparecendo.

Infelizmente, dessa grande obra de Kazantzákis temos apenas uma tradução, aliás excelente, para o inglês de autoria do professor americano, Kimon Friar.

Testamento para El Greco (Αναφορά στον Γρέκο)

No original, não aparece a palavra "testamento" do título da tradução para o português. A palavra grega (anaforá) significa "relatório", "prestação de contas". E, realmente, trata-se de uma prestação de contas que o autor faz ao grande pintor cretense Domênico Theotocópoulos, o famoso El Greco.

Como declara o próprio autor no prólogo, Testamento para El Greco não é uma autobiografia e sim um texto ficcional que tem por base o caminho seguido por Kazantzákis em sua trajetória em busca de si mesmo. Como diz o autor na introdução à sua obra: "... aqui, misturando a verdade à fantasia, gostaria de representar esta ascensão, junto com as pegadas vermelhas que deixei ao subir" rumo à conquista de si mesmo.

Esta obra foi traduzida, do inglês para o português, por Clarice Lispector e publicada pela Editora Antenova S.A, em 1975.

O Pobre de Deus (Ο Φτωχούλης του Θεού) - dedicado a Albert Schweitzer, segundo o autor, o São Francisco de nossos tempos - é uma descrição romanceada, mas profundamente apaixonada e lírica, da vida do mais doce, do mais altruísta, do mais poético dos grandes santos.

Esta obra foi traduzida, do inglês para o português, por Milton Persson e publicada pela Editora Nova Fronteira.

As peças teatrais de Níkos Kazantzákis, por ele chamadas de tragédias (τραγωδίες), em sua quase totalidade está concentrada sobre um único personagem, grego em sua maioria, cujo nome já é o próprio título da obra. Com personagens históricos gregos, temos: Juliano o Apóstata (Ιουλιάνος ο Παραβάτης), Nikifóros Focás (Νικηφόρος Φοκάς), Konstantinos Paleológos (Κωνσταντίνος ο Παλαιολόγος), Capodístrias (Καποδρίστριας); com personagens mitológicos gregos, temos: Prometeu (Προμηθέας), Kouros (Κούρος), Odisseu (Οδυσσέας) e Mélissa (Μέλισσα); com tema não grego, temos: Sodoma e Gomorra (Σοδόμα και Γόμορρα) e Cristovão Colombo (Χριστόφορος Κολόμβος); e com tema não apenas grego, mas pertencente a, pelo menos, todo o ocidente, temos a peça Cristo (Χριστός).