Cultura Grega: Música

As primeiras canções populares (δημοτικά τραγούδια) apareceram ainda no tempo do Bizâncio e têm suas raízes profundamente encrustradas na antigüidade e na música tradicional do Mediterrâneo oriental e floresceu plenamente no período da ocupação turca. São canções anônimas de grande valor poético e imensa importância para a conservação dos valores e da tradição gregos. Descrevem as façanhas dos kléftes e dos armatolí, um tipo de guerrilheiros que, escondidos nas montanhas, lutavam contra o domínio turco.

Os instrumentos musicais utilizados até o século XIX eram quase sempre aqueles já utilizados na antigüidade, isto é, flauta, pipiza (um tipo de flauta), tambor, pandeiro, lira, alaúde. Pouco antes da revolução de 1821, foram acrescentados o clarinete e o violino, oriundos dos grupos musicais turcos. Pouco a pouco foram aparecendo os cantores que, depois de 1900, se reuniram aos músicos e mantivam viva a tradição musical grega.

A música rebética (ρεμπετικά τραγούδια) aparece no século XIX em Constantinopla, em Smirna, no Pireus, em Patra, na Salônica e em Atenas. Entretanto, de 1890 a 1950, o rebético se desenvolve também fora da Grécia, nos lugares onde existem gregos que cantam sua tristeza no exílio e os tormentos de suas vidas.

Logo antes da destruição de Smirna, isto é, entre 1864 e 1922, os atenienses entram pela primeira vez em contato com esse tipo de música, cantadas por grupos musicais de Constantinopla, que fazem um grande sucesso. Surgem, assim, nas grandes cidades, os primeiros "café aman"(καφέ αμάν), locais onde se cantavam as canções rebéticas que mantinha tão forte a influência da Ásia Menor que, em 1917, o escritor Zacharias Papadoniou (Ζαχαρίας Παπαντωνίου) publicou uma condenação aos "café aman" e, de um modo geral, à música de influência da Ásia Menor.

Entre 1922 e 1934, todos os grandes artistas do gênero eram de Constantinopla e da Ásia Menor e, como o Pireus recebeu na época um grande número desses refugiados, foi aí que a música rebética mais se desenvolveu. Já se pode falar, desde aquela época, de salas noturnas onde só se canta e dança esse tipo de música, as buzúkias (μπουζούκια), como são hoje chamados.

Da ocupação alemã em diante, a música rebética se recolheu devido à perseguição sistemática que lhe foi imposta pela autoridade policial. Entretanto, datam dessa época composições verdadeiramente antológicas de autores como Vasilis Tsitsani (Βασίλης Τσιτσάνης) e Markos Vanvakaris (Μάρκος Βαμβακάρης) interpretadas, entre outros, por Marika Ninou (Μαρίκα Νίνου), Rosa Esquenazi (Ρόζα Σκενάζη), Sotiria Belo (Σωτηρία Μπέλλο).

A década de 60 foi marcada pela reconstrução da Grécia pós-guerra. Por todos os lugares se ouve as canções interpretadas por Stélios Kazantzídis (Στέλιος Καζαντζίδης) que canta os operários gregos que trabalham nas fábricas alemãs. Keti Grei (Καίτη Γκρέϋ) canta «Τα ξένα χέρια” (As mãos estrangeiras) e Mery Linda (Μαίρη Λίντα) e Manolis Hiótis (Μανώλης Χιώτης) cantam “Ηλιοβασιλέματα” (Os pores do sol) Mikis Theodorákis (Μίκης Θεοδωράκης) casa melodias inspiradas nesse tipo de música com as palavras de poetas como Ritsos (Ρίτσος), Seferis (Σεφέρης), Elitis (Eλύτης) e Gatsos (Γκάτσος). Nessa mesma época, surge no cenário grego Manos Hadzidakis (Μάνος Χατζιδάκις) o qual, junto com Theodorakis elevaram a música grega à altura das melhores em termos mundiais. Foi também nesta época que, seguindo as pegadas de Theodorakis-Hadzidákis, surge Stavros Xarhakos (Σταύρος Ξαρχάκος) com um excelente trabalho.

A década de 70 assiste ao acesso da junta militar ao poder com seu consequente regime ditatorial. É imposta a censura, músicas inteiras têm suas letras cortadas, os artistas são perseguidos e as rádios não tocam mais as canções populares.

A queda da junta militar em 1974 libera tudo o que tinha sido composto durante a ditadura e surge a público o «Άξιον Εστί» e o «Ρωμιοσύνη», de Mikis Theodorakis. A música popular retorna com força total às rádios e lança Stratos Dionisiou (Στράτος Διονυσίου), o mais importante intérprete popular depois de Kazantzídis. A reprensagem das músicas rebéticas compostas e interpretadas por Georges Zambetas (Γιώργος Ζαμπέτας) e Georgos Dalaras (Γιώργος Νταλάρας) torna-as conhecidas do público mais jovem.

E a música popular grega continua seu percurso com excelentes intérpretes como, além do já citado Dalara, Iannis Pários (Γιάννης Πάριος), Dimitra Galani ( Δήμητρα Γαλάνη), Xaris Aleksiou (Χάρης Αλεξίου), Alkísti Protopsalti (Αλκήστη Πρωτοψάλτη, Elefteria Arvanitáki (Ελευθερία Αρβανιτάκη), entre outros.