Este fato só fez aumentar a irritação popular contra o governo, irritação esta que explode sob a forma de um movimento dos oficiais do Γουδί (Gudi, bairro de Atenas onde se situavam os quartéis), que obrigaram o rei a renunciar. Os oficiais chamaram um novo político que tinha se destacado nos movimentos revolucionários cretenses, Ελευθέριος Βενιζέλου (Eleftério Venizelu), que viria a ser Primeiro-Ministro da Grécia. O pessimismo trazido pela derrota de 1897, com o governo Venizelou, deu lugar a um período de euforia no qual os gregos se viram ascendendo e tirando o enfraquecido Império Otomano de sua condição de líder do Oriente Médio.
Em 1912, os países balcânicos se viram diante de mais uma ameaça turca que procurava impor a religião islâmica aos povos cristãos da região balcânica, ainda em seu poder. Face a esse novo perigo, os países cristãos se uniram e declararam guerra à Turquia, eram as primeiras guerras balcânicas. O resultado dessa guerra foi altamente favorável aos gregos que reconquistaram Θεσσαλονίκη (Salônica) e a Ιωάννινα (Ioânina), além das ilhas do mar Egeu ainda em poder dos turcos e conseguiram, finalmente, a anexação de Creta ao território grego.
Entretanto, a aliança entre os países balcânicos era um tanto fraca tendo em vista as rivalidades existentes sobre a Macedônia. A Bulgária, principalmente, estava se sentindo lesada e se voltou contra seus antigos aliados, a Grécia e a Sérvia. E assim começaram as muito rápidas segundas guerras balcânicas, junho a julho de 1913. A Bulgária foi forçada a reconhecer a divisão da maior parte da Macedônia entre a Grécia e a Sérvia. Entretanto, ainda não foi desta vez que a Grécia conseguiu a anexação do nordeste do Épiro a seu território.
Como resultado das duas guerras balcânicas, o território da Grécia, assim como sua população, praticamente dobrou, porém, não havia unidade étnica entre esses novos cidadãos gregos, problema que só seria sentido muito mais tarde. Naquela época o entusiasmo do grego, sob a liderança carismática de Venizelos, era tão grande que até parecia possível tornar reais as aspirações da Grande Idéia. Quando o rei Georges I morreu assassinado, em março de 1913, foi sugerido que seu sucessor, o príncipe Constantino, fosse coroado com o nome de Constantino XII, e não como Constantino I, como acabou sendo, para simbolizar a continuidade de Constantino XI Paleologos, o último imperador do bizâncio.
Esse período de otimismo, que caracterizou o início do governo Venizelos, deu lugar a um “cisma nacional” devido à posição assumida pelo Primeiro Ministro e pelo Rei Constantino I diante da Primeira Guerra Mundial. Enquanto Venizelos achava que a Grécia deveria apoiar os países da Tripla Aliança – Inglaterra, França e Rússia – porque esta era a posição que melhor atendia aos interesses do país, o rei, por acreditar na vitória da Alemanha, queria se manter neutro. Essa discórdia atingiu seu ponto máximo quando Venizelos estabeleceu um governo rival na Salônica que, como aliás toda a Grécia, lhe era apaixonadamente leal.
Como resultado de sua participação na Primeira Guerra Mundial, a Grécia recebeu, da Bulgária, a parte oeste da Trácia e, com o Tratado dos Servos recebeu, da Turquia, o Leste da Trácia, além das ilhas Imvrio e Tenedo e dos direitos sobre Smirna, na Ásia Menor. As diferenças entre Venizelos e o rei aumentaram de tal forma que, em 1915, este renunciou.
Em novembro de 1920, para surpresa de todos, Venizelos foi derrotado nas eleições e o rei exilado foi reconduzido ao trono, depois de um plebiscito. Nesse ínterim, a situação militar na Ásia Menor foi se deteriorando e uma ofensiva dos turcos, em 27 de agosto de 1922, resultou no incêndio de Smirna onde morreram muitos gregos e armênios e uma enorme quantidade de refugiados gregos fugiram para a Grécia. E assim terminou uma presença grega de 2.500 anos na Ásia Menor, assim como a visionária Grande Idéia.
Quando um não político, designado pelo rei para ocupar o cargo de primeiro-ministro, morreu, tomou o seu lugar o general Ιωάννης Μεταξάς (Ioanis Metaksas), da extrema direita. Aproveitando-se de uma manifestação trabalhista e de uma ameaça de greve geral, convenceu o rei a fechar o Parlamento. Embora tivesse prometido que esse fechamento seria temporário, o Parlamento só reabriu 10 anos depois.
Ao romper a Segunda Guerra Mundial, Metaxas procurou manter o país neutro mas a crescente pressão exercida por Mussolini, que queria um fácil triunfo militar para fazer face aos conseguidos por Hitler, obrigou-o a uma tomada de posição. Na madrugada do dia 28 de outubro de 1940, o embaixador italiano entregou ao Primeiro-Ministro um ultimátum de Mussolini exigindo que não reagisse contra a ocupação, por parte do exército italiano, de algumas posições militares dentro do território grego. Metaxás reagiu com o famoso ΌΧΙ (não), entusiasticamente aceito por toda a população grega. Imediatamente, as forças italianas tentaram invadir a Grécia a partir da Albânia e, não apenas foram derrotadas, como obrigadas a recuar, deixando livre para a ocupação grega o nordeste do Épiro.
Hitler, ao constatar que os italianos não tinham conseguido ocupar a Grécia, decidiu invadir o país, o que foi feito em 6 de abril de 1941. A essa invasão, seguiu-se uma terrível ocupação pelos países do Eixo, isto é, Alemanha, Itália e Bulgária. O rei Georges II e seu governo fugiram para o Egito, enquanto a população grega, devido ao confisco dos estoques alimentares, enfrentaram um terrível período de fome que resultou na morte de, pelo menos, 100.000 pessoas. Em 1943, praticamente toda a população judaica da Grécia tinha sido deportada para os campos de concentração alemães. Uma devastadora taxa de inflação só veio aumentar o sofrimento e a humilhação que a população grega vivia em seu dia-a-dia.
Ao mesmo tempo em que surge a ocupação, também aparecem os primeiros movimentos de resistência. Esses movimentos assumiram uma forma mais organizada quando, em setembro de 41, o Partido Comunista fundou a Frente Nacional de Libertação, EAM (Ελληνικόν Απελευθερωτικόν Μέτωπον/Frente Helênica de Libertação) cujo braço armado era conhecido pelas iniciais ELAS (Εθνικός Λαϊκός Απελευθερωτικός Στρατός/Exército Nacional Popular de Libertação). Embora o Partido Comunista tivesse sido colocado na clandestinidade durante o governo Metaxás, o movimento EAM/ELAS foi a mais importante força de resistência à ocupação nazista. Mas, além desse grupo, outros surgiram e, dentre estes, o mais importante, a Liga Grega Republicana Nacional (Εθνικός Δημοκρατικός Ελληνικός Σύνδεσμος) que, assim como o EAM/ELAS, se opunha à volta do rei após a libertação. Com a ajuda de uma missão militar britânica, a guerrilha realizou atos realmente espetaculares de resistência, o mais importante deles foi a destruição da ponte sobre o rio Gorgopotamos (Γοργοπόταμος) em novembro de 1942. A libertação veio, finalmente, em 12 de outubro de 1944 e, em 1947, a Grécia conseguiu a anexação do Dodecaneso, até essa época em poder dos italianos.
Mais uma vez, o destino da Grécia vai ser determinado pelas Grandes Potências. Através de um acordo firmado entre os dois, o Primeiro-Ministro britânico, Winston Churchill - que desejava a reintegração do rei Georges I ao trono da Grécia – e o líder soviético, Joseph Stalin, foi determinado que a União Soviética teria predominância sobre a Romênia, e, em troca, na Grécia a predominância seria inglesa. Ao que parece, por fidelidade a esse acordo, Stalin não deu apoio aos comunistas gregos que, no outono de 44, com a capitulação dos alemães, quiseram lutar pela posse do poder.
Na véspera do Natal de 1944, Winston Churchill voa para Atenas numa tentativa fracassada de solução para o problema. Persuade, então, o rei Georges II a não voltar para a Grécia aceitando a regência do arcebispo Damaskinós (Δαμασκηνός) para, em seguida realizar um plebiscito. Realizado o plebiscito, sai vitorioso o rei Georges II, que volta para Atenas onde morre seis meses depois sendo substituído por seu irmão, Paulo.
Exatamente como ocorreu durante a Revolução de 21 e a Primeira Guerra Mundial, uma grande crise nacional divide as forças de resistência que, além de combaterem as forças de ocupação do Eixo, lutam pelo poder no pós--guerra. No último ano da ocupação alemã, parecia que as divergências entre elas iriam terminar. Pouco antes da libertação, formou-se um tipo de governo - o assim chamado “governo da montanha” (Κηβέρνηση του Βουνού) - apoiado por um grande número de integrantes das forças de resistência. Os membros do governo que tinham fugido para o Egito por ocasião do ataque alemão entraram em acordo com o governo constituído na Grécia e formaram um governo de união nacional.
Entretanto, os membros desse governo de coalizão nunca chegaram a um acordo quanto ao estabelecimento de um programa comum. Assim, em dezembro de 1944, as forças do EAM/ELAS e as do EDES se defrontaram em Atenas. O EDES, embora em bem menor número do que seu rival, gozava, no entanto, da proteção das autoridades britânicas, que temiam a tomada do poder pelos comunistas.
A conferência de Varkiza, realizada em fevereiro de 45, dá uma trégua à luta entre direita e esquerda. Essa trégua, no entanto, durou pouco tempo pois irrompe no país uma terrível guerra civil que duraria 4 anos e deixaria um saldo de milhares de vítimas e um país destruído. Mas o pior é que não resolveu o problema, a unanimidade que o país precisava para poder progredir ainda se faria esperar. Com a penúria deixada pela guerra civil, um grande número de gregos abandona o país em busca de melhores oportunidades de vida e de trabalho.
Durante o governo de Konstantinos Karamanlis (Κωνσταντίνος Καραμανλής), primeiro-ministro no período pós guerra civil, foram criados novos empreendimentos, desenvolveu-se o turismo, assim como a marinha, o Partido Comunista foi legalizado e o exército voltou aos quartéis eliminando, assim, a possibilidade de um outro ataque contra a Turquia.
Entretanto, apesar de todo esse desenvolvimento, o povo ainda estava vivendo uma situação difícil de baixos salários e falta de emprego. Assim, nas eleições parlamentares de 1964, Γεώργιος Παπανδρέου (George Papandréou), presidente do “União do Centro” (Ένωση Κέντρου) partido majoritário, assume o governo. Papandréou, visando a satisfação do povo, toma algumas medidas que o tornam bastante popular: aumenta o preço dos produtos agrícolas, promove uma reforma na educação, etc. Entretanto, quando quis introduzir mudanças também no exército, enfrentou forte resistência do rei Constantino, e renunciou em julho de 1965. À sua renúncia seguiu-se uma nova “crise nacional” que duraria cerca de 2 anos.
Ao cabo de algum tempo, para tentar suplantar a crise, os partidos políticos resolveram realizar novas eleições, que foram marcadas para o dia 21 de abril de 1967. Entretanto, nem chegaram a ser realizadas porque um grupo de oficiais tomaram o poder estabelecendo uma ditadura bastante cruel que só terminou em julho de 1974 quando Konstantino Karamanlis é chamado de seu auto exílio na França para restaurar a democracia em seu país.
Com o apoio popular, o novo governo supera um grande número de dificuldades e realiza um bom trabalho, adotando, inclusive, o dimotikí (δημοτική), a língua praticada pelo povo, como a língua oficial. Alguns meses depois, em novembro de 74, são realizadas novas eleições e Karamanlis é confirmado no cargo. Em dezembro do mesmo ano, promove um referendo popular através do qual, por 69 por cento dos votos, eliminou-se o sistema monárquico e impediu-se a volta do rei Constantino.
Em 1980 é eleito presidente e, em 81, vê realizado seu principal objetivo, a Grécia se torna membro da Comunidade Européia. Neste mesmo ano de 81, são realizadas eleições parlamentares e o PASOK (Πανελλήνιο Σοσιαλιστικό Κίνημα/Movimento Socialista Pan-helênico) obtém uma grande vantagem eleitoral e leva Ανδρέας Παπανδρέου (Andréas Papandreou) filho de Georges, ao cargo de Primeiro-Ministro. Durante quase uma década no poder, não conseguiu realizar todas as reformas que pretendia, mas modernizou o direito de família, adotou o sistema monotônico para a escrita, e se mostrou um hábil político.
Em 1990, novas eleições e, desta vez, com vitória da conservadora Nova República (Νέα Δημοκρατία) levando seu presidente, Κωνσταντίνος Μητσοτάκης (Constantino Mitsotákis), ao cargo de primeiro-ministro. A política econômica praticada por Mitsotákis e, principalmente, sua proposta de privatização em larga escala de empresas estatais, tornaram-no impopular e, em 1993, Papandréou voltou ao poder com quase o mesmo número de votos que obteve em sua primeira vitória eleitoral.
Em 1995, é eleito Presidente da República o Sr. Konstantinos Stefanópoulos (Κωνσταντίνος Στεφανόπουλος), candidato do PASOK, reeleito, no ano 2000, para mais um período de 5 anos.
Em 18 de janeiro de 1996, por motivo de saúde, Papandréou deixou o cargo e foi substituído por Kostas Simítis (Κώστας Σημίτης) que, em setembro do mesmo ano foi confirmado no cargo através das urnas. Tinha como maior objetivo de governo um plano de estabilidade econômica que pudesse ajudar a Grécia a acompanhar a política da Comunidade Européia em sua preparação para adoção da nova moeda. No dia 1 de janeiro de 2002, a Grécia trocou sua unidade monetária. A milenar dracma (δραχμή) foi substituída pelo euro (evrô, em grego).
Em fevereiro de 2004, abdica da Presidência do Pasok e indica o Sr. Georges Papandreou (Γιώργος Παπανδρέου) - na época, Ministro das Relações Exteriores - para substituí-lo no posto. O Sr. Papandreou é eleito pelos seus pares em 08 de fevereiro do mesmo ano.
Em março de 2004 são realizadas eleições gerais das quais sai vencedor, por uma boa margem de votos, o partido conservador Νέα Δημοκρατία (Nea Dimocratia) levando seu Presidente, o Sr. Konstantinos Karamanlis (Κωνσταντίνος Καραμανλής) - sobrinho do ex-presidente - ao cargo de Primeiro Ministro.
Em 8 de fevereiro de 2005, com o apoio dos grandes partidos, o Sr. Károlos Papoúlis (Κάρολος Παπούλης) é eleito Presidente da República grega, em substituição ao Sr. Stefanópoulos.

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