Cultura Grega: História da Grécia

Constantinopla caiu em poder dos turcos no dia 29 de maio de 1453. Quando isso ocorreu, embora o Império Bizantino já tivesse perdido muito de sua antiga glória, ainda assim, a queda desse simbólico bastião da cristandade diante das forças do Islã, provocou um grande choque. Mas, apesar da tristeza pela derrota, os próprios habitantes da cidade se conformaram pois era melhor cair em poder dos turcos e manter a integridade de sua fé Ortodoxa, do que pagar o preço exigido pelos cristãos ocidentais, isto é, submeterem-se ao Papa.

Entretanto, o governo de um tão vasto território de população não muçulmana constituía um problema para os sultões turcos. Os otomanos fizeram face a essa dificuldade separando a população em uma espécie de feudos estabelecidos, não em bases étnicas – mesmo porque não se tinha ainda muita consciência das diferenças étnicas – mas com base no credo religioso. A maior autoridade administrativa era constituída pelo sultão auxiliado por um primeiro ministro, o vizir, e por seus ministros, os efendes.

Tendo decidido fixar a capital do império em Constantinopla, o sultão chamou de volta os antigos habitantes da cidade e, para convencê-los a retornar, fez-lhes algumas concessões. Uma de suas primeiras ações foi colocar Genádio II Scholarios, conhecido pela sua posição contrária à união da Igreja Ortodoxa à ocidental, no trono do patriarcado.

O Patriarca gozava de uma autoridade bastante grande, não só em termos religiosos, mas também em relação aos temas leigos. Em um certo sentido, era ainda maior do que a que gozavam os patriarcas durante o Império Bizantino. Em troca desses privilégios, os patriarcas tinham por obrigação manter seus paroquianos fiéis à autoridade turca.

Quando respeitavam as tradições islâmicas, esses senhores gozavam de uma relativa autonomia no trato dos assuntos religiosos, entretanto, estavam sempre em desvantagem face a um muçulmano. Não podiam usar armas, nem prestar serviço militar e, em vez disso, tinham que pagar um imposto especial. Não podiam se casar com muçulmanas e, diante de qualquer tribunal, sua palavra valia menos do que a de um muçulmano. Mas o mais cruel dos impostos a que estavam obrigados os cristãos era a prática do “pedomázoma”: as famílias cristãs eram obrigadas a, de tempos em tempos, entregar dez por cento dos seus filhos, os mais bonitos e inteligentes, à autoridade turca. Essas crianças eram levadas para a Turquia, educadas como muçulmanos e serviam na tropa de elite do exército otomano.

Durante os quatrocentos anos do domínio turco, a Igreja Ortodoxa se constituiu no único ponto de referência dos cristãos no que diz respeito à identidade étnica. A Igreja nada pôde fazer para evitar a imposição do turco como língua oficial, entretanto, desempenhou um papel fundamental na manutenção da cultura pelo fato de continuar usando o grego em suas liturgias.

Entretanto, a atuação dos padres ortodoxos não se limitou ao uso da língua nas liturgias, construíram e mantinham escolas onde ensinavam a seus alunos, adultos e crianças, a lerem e a escreverem sua língua materna através da leitura dos textos religiosos. Esta atuação da Igreja parece estar na origem da história do, assim chamado, “κρυφό σχολείο” (crifó skolío), literalmente, escolas secretas, que falam de uma época em que as escolas funcionavam secretamente porque os gregos temiam os turcos.

Durante os séculos XVI e XVII, a maior preocupação dos gregos era, evidentemente, com sua própria sobrevivência. No entanto, no decurso do século XVIII, começaram a surgir sinais de debilidade da autoridade otomana, o que demonstrava claramente que os turcos não eram invencíveis. E essa constatação da possibilidade de derrota das forças turcas fez com que surgisse, entre os gregos, a esperança da libertação.

Os indícios da debilidade da força turca se manifestaram tanto no terreno externo como no interno. Externamente, temos a guerra Rússia-Turquia, com a vitória da Rússia e sua conseqüente exigência de exercer protetorado sobre todos os Cristãos Ortodoxos do Império Otomano. No plano interno, temos, principalmente, o episódio de Ali Pachá cuja riqueza e poder eram tão grandes que ameaçavam a autoridade da Porta otomana. Foi a decisão turca de eliminar Ali Pachá, cuja autoridade tanto temiam, o que determinou o momento do início da revolução armada.

De crucial importância para o sucesso do movimento revolucionário foi a profunda transformação sofrida pela sociedade grega no decorrer do século XVIII. Com a debilitação de sua força armada, os turcos tiveram que recorrer a diplomatas capazes de negociar com seus inimigos vitoriosos, para tentar minimizar os efeitos das derrotas. Como, em seu próprio meio, não contavam com pessoas com essas qualidades, tiveram que apelar para os Fanariotes, grupo de gregos que tiraram seu nome do bairro de Constantinopla – Φανάρι, Farol – onde se situava o patriarcado ecumênico.

Esses Fanariotes, homens cultos que eram, patrocinaram o desenvolvimento da educação e da cultura de um modo geral, atraíram, para suas academias, professores e alunos de todos os países ortodoxos. Embora não estivessem interessados na emergência de um movimento nacional grego de libertação, já que tinham um grande prestígio e poder na burocracia otomana, quando, finalmente, irrompeu o movimento de 1821, os revolucionários puderam contar com um grupo de pessoas experientes tanto no trato político como no diplomático.

Um outro importantíssimo fator foi o aparecimento de uma próspera classe média mercantil que, desencorajada de investir em um império onde predominavam a arbitrariedade e a rapacidade, desenvolveram um ativo comércio com a Hungria, com a Transilvânia, com a monarquia dos Habsburgo e com a Rússia. Em pouco tempo, o grego se tornou a língua comercial dos Balcãs e um desafio à predominância comercial da Inglaterra, da França e da Alemanha.

O surgimento dessa classe teve duas importantíssimas conseqüências: em primeiro lugar, levou os gregos a entrarem em contato com as sociedades européias ocidentais e suas idéias iluministas e, em segundo lugar, forneceram os meios financeiros necessários ao renascimento intelectual verificado entre os gregos no fim do século XVIII e início do XIX. O fato da maioria dos centros escolares gregos estarem situados em Smirna (Σμύρνη), Xios (Χίος) e Aivalí (Αϊβαλί), todos grandes centros comerciais, não foi mera coincidência.

Paralelamente a esse desenvolvimento comercial, surge uma fortíssima marinha mercante baseada, principalmente, nas ilhas de Hidra (Ύδρα), Psará (Ψαράς) e Spétses (Σπέτσες). Devido aos constantes ataques de piratas, os navios comerciais estavam fortemente armados e puderam ser usados como navios de guerra durante a Revolução de 21. Além disso, a reserva de um grande número de marinheiros treinados se mostrou, é lógico, muito útil quando estourou a revolução e os navios de guerra gregos se tornaram uma fortíssima arma contra os turcos.

Sob os auspícios desses comerciantes, muitos jovens foram estudar na Europa Ocidental e lá não só entraram em contato com as idéias libertárias da Revolução Francesa, como também puderam constatar com que admiração os europeus encaravam a língua e a cultura da Grécia antiga despertando-lhes, assim, o orgulho pelo passado. Uma das mais proeminentes figuras nessa redescoberta do glorioso passado foi Adamantios Korais (Αδαμάντιος Κοραϊς) que, com o patrocínio de comerciantes da Ioánina (Ιωάννινα), publicou toda uma série de livros dos clássicos gregos. Com esse orgulho pelo passado, começou um outro problema: qual língua poderia expressar melhor a glória do passado? Alguns achavam que a língua do povo, a dimotikí (δημοτική), poderia perfeitamente ser usada como dialeto culto, outros achavam que a katarévousa (καθαρεύουσα), língua pura, por ser aquela que mais se aproximava do dialeto ático, era a que deveria ser adotada.

Por volta do fim do século XVIII, Rigas Velestinlis (Ρήγας Βελεστινλής) ou Rigas Feréos (Ρήγας Φεραίος) como era conhecido, começou a pôr em prática um plano de revolta armada contra os turcos. Entretanto, foi traído, preso e enforcado em Belgrado. Embora, até certo ponto, a empreitada de Rigas Feréos possa ter redundado em fracasso, pelo menos algo teve de positivo, serviu de inspiração para os subseqüentes movimentos nacionalistas gregos.

Seguindo o exemplo de Rigas Feréos, três jovens gregos membros da diáspora mercantil, Εμμανουήλ Ξάνθος (Emanuil Ksánthos), Νικόλας Σκουφάς(Nikolas Skufás) e Αθανάσιος Τσακάλωφ (Atanasios Tsakálof), fundaram, em Odessa, uma sociedade secreta à qual deram o nome de Εταιρεία των Φίλων, ou Φιλική Εταιρέια (Sociedade de Amigos) com o fim específico de preparar uma revolta armada contra os turcos.

Para ser aceito como membro da Filikí Etería, o candidato tinha que passar por um verdadeiro ritual muito aos moldes daquele praticado pelos maçônicos. Tinham que jurar que não revelariam a ninguém a existência da Sociedade e que seguiriam sempre as ordens recebidas. Os membros da Filikí Etería não se conheciam e se comunicavam somente através de códigos. Com o passar do tempo, aumentou em muito o número de seus membros sendo que os primeiros a se filiarem foram os kléftes, em seguida vieram os comerciantes, os padres e outros.

O conde Ιωάννης Καποδίστριας (Ioanis Kapodístrias), devido à grande experiência adquirida como Ministro do Exterior de Alexandre I, da Rússia, foi convidado a liderar a Sociedade. Como declinasse do convite por não acreditar no sucesso da empreitada, foi chamado, para o mesmo cargo, Αλέξανδρος Υψηλάντης (Aleksandros Ipsilandis), que também tinha servido sob Alexandre Ι , mas que, no entanto, não possuía a mesma experiência política do outro. Se aproveitando de uma ocasião que, imaginava, lhe seria favorável, isto é, o ataque de uma grande parte do exército turco contra Ali Pachá, Ipsilandis entrou em território grego, vindo da Rússia, mas foi derrotado na batalha de Δραγατσάνιο (Dragatsánio), capturado e enviado para o território dos Habsburgos, onde morreu na prisão.

Enquanto tudo isso acontecia no norte da Grécia, o Peloponeso estava em pé de guerra com a chegada do enviado da Filikí Eteria, o arcebismo Γρηγόριος Δικαίος, ο Παπαφλέσας (Grigórios Dikéos, o Papaflessa) que, anunciando que estava tudo preparado para a revolta, reuniu um grande número de pessoas em torno de si. Além disso, já há algum tempo, tinha chegado à cidade de Máni o chefe dos kléftes, Θεόδωρος Κολοκοτρώνη (Teodoro Kolokotroni). Tinha chegado o grande momento!

O grupo dos kléftes (κλέφτες) era formado por homens que, descontentes com o domínio turco, abandonavam a cidade e se escondiam nas montanhas de onde desciam para atacar os ricos, principalmente os cobradores de impostos. Foram extremamente importantes na Revolução de 21 pois, com a experiência militar adquirida nas montanhas e com as armas que tinham conseguido, constituíram o braço armado do movimento da libertação grega.

O primeiro tiro foi dado na Arcádia por Νικόλαος Σολιώτης (Nicolau Soliótis) no dia 14 de março, contra um coletor de impostos. A partir daí, as coisas se desencadearam com grande rapidez. No dia 23, Kolokotroni e Papaflessa, à frente de um exército formado por maniates, libertaram Kalamata. Na Grécia Continental, o kléftis Δημήτριος Πανουργιάς (Dimitrios Panuriás) ataca Ánfissa e o padre Αθανάσιος Διάκος (Atanasios Diakos), a Livádia. No dia 26, o religioso Παλλαιών Πατρών Γερμανός (Germano das Antigas Patras) fixa o estandarte da revolução na praça central de Patra diante do qual vêm jurar os oficiais. Em pouco tempo, a revolução se espalhou por toda a Grécia Continental.

A primeira ilha a se levantar, chefiada por Λασκαρίνα Μπουμπουλίνα (Laskarina Bubulina) - uma das maiores, se não a maior, figura feminina da Revolução de 21 - foi Spétses. A ela se seguiram todas as outras.

Ao saber do movimento revolucionário dos gregos, o sultão mandou prender, e enforcar, o patriarca Gregório V por não ter cumprido sua parte no trato, isto é, não ter sido capaz de manter os cristãos fiéis à autoridade turca.

Com a libertação da Grécia Continental do domínio turco, era necessário que se constituísse um governo central que pudesse comandar as próximas ações. Aqueles que tinham governado as diversas províncias durante o tempo do domínio turco achavam que o natural seria que continuassem nos cargos que já ocupavam. Entretanto, os oficiais que tinham tomado parte ativa na luta, e que eram tão admirados pelo povo, também queriam sua parte de poder. E foi assim que, numa época em que a Grécia precisava tanto de paz para que pudesse continuar seu caminho em busca da libertação total, ao invés disso, se atiraram em uma guerra civil.

Enquanto os gregos lutavam entre si, os turcos, que não se conformavam com a perda dessa grande parte da Grécia, se organizavam para a reação. Como o sultão sabia que, sozinho, não conseguiria nada, solicitou a ajuda do pachá do Egito, Mohamet Ali. As forças egípcias abafaram a revolta em Creta, em Casso e no Peloponeso e as turcas em Psará e, ambas unidas, em Hidra. Os turcos só não conseguiram submeter a ilha de Samos graças à perícia naval de Ανδρέας Μιαούλης (Andreas Miaulis).

A causa grega triunfou finalmente graças à intervenção das Grandes Potências européias que, sendo favoráveis à formação de um Estado grego, se ofereceram como mediadoras do conflito. Como os turcos não aceitassem, França, Inglaterra e Rússia mandaram seus navios para Navarino onde, no dia 20 de outubro de 1827, destruíram a frota egípcia.

A intervenção das Grandes Potências foi realmente providencial no sentido de assegurar à Grécia um estado independente, embora deixasse para mais tarde o estabelecimento de suas fronteiras. Esse processo foi seguido de perto por Ioánis Kapodístrias, eleito o primeiro governante da Grécia pela Assembléia de Troizene.

Além de supervisionar a fixação das fronteiras, também se empenhou em dar uma infra-estrutura de Estado a um país destruído pela guerra. Entretanto, seu estilo paternalista e autoritário desagradou a alguns e Kapodistras acabou assassinado em Náuplia em outubro de 1831.

A existência da Grécia como país independente recebeu reconhecimento formal com o tratado de 1832 assinado entre a Bavária e as Grandes Potências. Muito caracteristicamente, os próprios gregos não tomaram parte nesse tratado. Mas, agora, a Grécia, o primeiro país a se libertar do jugo otomano, pelo menos formalmente se tornava um país independente. Entretanto, suas fronteiras ainda não estavam totalmente estabelecidas, o que só irá acontecer em 1947 com a reincorporação do Dodecaneso.

Depois do assassinato de Capodístrias, as Grandes Potências escolheram o príncipe da Bavária, Otto, como o primeiro rei da Grécia, onde chegou em janeiro de 1833. Como Otto era menor de idade, durante dois anos, a Grécia foi governada por um triunvirato.

Os bávaros tomaram medidas drásticas para a formação do Estado grego e, sobretudo, para a manutenção da ordem. O exército foi organizado em cavalaria e artilharia e, para facilitar a administração, o país foi dividido em dez províncias e as províncias em municípios. Foi nesta ocasião que a Igreja da Grécia se tornou autônoma.

Entretanto, para os gregos, Otto e, principalmente, os bávaros que governavam em seu lugar, eram estrangeiros. A maioria deles nem grego falavam. Isso provocou uma grande insatisfação entre o povo que, depois de uma tão grande luta pela liberdade, queriam um governo mais justo. Os mais desgostosos com a situação eram aqueles que tinham realmente participado da luta armada pois tinham sido humilhantemente colocados de lado e muitos mesmo foram obrigados a voltar para as montanhas.

O resultado dessa insatisfação foi um movimento revolucionário com o fim de obter do rei uma constituição, o que realmente foi feito. Entretanto, esse fato não fez com que mudasse muito seu modo de governar. A insatisfação aumentou mais ainda com as notícias vindas de fora, Rússia e Turquia estavam em guerra novamente. Otto, então, partidário da Grande Idéia - isto é, o desejo dos gregos de levar suas fronteiras para onde estavam durante o período bizantino - achou que essa era a hora de tentar reaver terras gregas. Entretanto, os ingleses e franceses, aliados dos turcos, mandaram seus navios para o Pireus e obrigaram Otto a interromper sua ajuda aos russos.

Esses fatos todos, e mais o fato de não conseguir satisfazer os desejos do povo, levou a uma outra revolução, que o fez renunciar e voltar para a Bavária. 

Com a renúncia de Otto, as Grandes Potências escolheram o príncipe dinamarquês Georges Gliksburg como o novo rei da Grécia, onde chegou em 1863, ostentando o título de «rei dos gregos».

A escolha do novo rei renovou a esperança do povo por dias melhores principalmente porque, junto com o rei, a Inglaterra devolveu à Grécia as ilhas do mar Iônico. Neste mesmo ano, foi votada uma nova constituição, que durou vários anos.

Em 1866, os cretenses se revoltaram contra o domínio turco de sua ilha e os gregos do continente, malgrado os problemas que atravessavam, deram apoio ao movimento. Entretanto, as Grandes Potências obrigaram a Grécia a cortar toda ajuda a Creta.

Além do problema político, o econômico também torturava a vida do povo. Tanto no tempo de Capodístrias como no de Otto, foram feitos muitos empréstimos no exterior para fazer face à reconstrução do país. Durante esta época, o governo começou a distribuir terra entre os agricultores sem terra e a tomar medidas para organizar a economia. Entretanto, a indústria não mostrava sinais de desenvolvimento, o que tornava necessária a importação de produtos estrangeiros. Como as despesas eram sempre maiores do que as receitas, o governo era obrigado a levantar empréstimos no exterior, o que tornava o país dependente, não só em termos econômicos, mas até em termos de política nacional.

Grande avanço modernizador da política nacional constituiu a decisão do rei Georges de entregar o governo ao presidente do partido majoritário no Parlamento. Na época, havia dois partidos políticos, que se alternavam no poder. Um deles, chefiado por Χαρίλαος Τρικούπης (Harílaos Trikupi), representava a modernização, uma tendência ocidentalizante na condução das coisas políticas. O outro partido, chefiado por Θεόδωρος Δεληγάννης (Teodoro Deliánis) não possuía nenhum real programa de governo, tudo o que queria era reverter todas as reformas efetuadas por seu arquiinimigo.

Em 1881, verificou-se o segundo alargamento das fronteiras gregas: o primeiro foi a devolução, feita pela Inglaterra, das ilhas do mar Iônico, e a segunda foi a cessão, pela Turquia, sob pressão da Inglaterra, da Tessália e de parte do Épiro à Grécia. Com esta anexação, a população grega cresceu, assim como aumentou a quantidade de terras cultiváveis. Enquanto Trikoupis achava que o fortalecimento do Estado era uma precondição indispensável à expansão territorial, Delianis não compartilhava absolutamente dessa idéia.

Em Creta tinha irrompido uma nova revolta contra os turcos e o governo grego mandou forças do exército e da marinha para ajudar os cretenses em sua luta. A Turquia declarou guerra contra a Grécia e invadiu a Tessália mas, sob pressão das Grandes Potências, assinou um tratado de paz e se retirou dos territórios ocupados. Entretanto, a Grécia foi obrigada a pagar uma imensa soma em “indenização de guerra” e, como não podia pagar, pediu empréstimo às Grandes Potências e estas, para concedê-lo, exigiram controle externo das despesas do governo grego.

Entretanto, na Turquia a situação também estava complicada com a revolta de alguns turcos que exigiam uma constituição e, com esse fim, organizaram uma revolta contra o sultão. Creta, se aproveitando dessa situação difícil vivida pelo dominador, se revoltou outra vez e proclamou sua união com a Grécia. Mas o governo, talvez ainda temeroso que se repetissem os acontecimentos de 1897, se manteve neutro.

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